quinta-feira, 8 de junho de 2017

COMO HARMONIZAR O MONOTEÍSMO COM A TRINDADE


INTRODUÇÃO

Grande polêmica tem surgido através dos séculos, em torno da doutrina da Trindade.
Os unitaritas ou antitrinitaristas defendem ardorosamente que a doutrina da Trindade é estranha à Palavra de Deus, chegando alguns a afirmarem que ela é de origem pagã.
Sendo que o assunto é tão empolgante e sobremodo importante, no plano da salvação, ele deve ser pesquisado na Bíblia, porque ali encontraremos a orientação divina para dirimir as dúvidas.
Sem idéias preconcebidas vejamos o que ela tem a dizer sobre  o assunto. Através de toda a Palavra de Deus os autores inspirados fazem várias referências a três seres divinos cognominando-os como Criador, Deus, Salvador ou Redentor e apresentando-os sempre como dignos de receberem adoração, honra e louvor.

COMENTÁRIOS  GERAIS  SOBRE  O  TEMA

Desde a infinita eternidade, três são os que regem o universo. Iguais em onipotência, onisciência, onipresença, em substância, em glória e em eternidade. São três santos, três grandes poderes, três pessoas, quer dizer três seres independentes um do outro. Cada um deles é chamado Deus. Como sempre se encontram unidos em obras e propósitos, a Bíblia os identifica, muitas vezes, em sentido coletivo como Deus, que seria igual à Trindade. Quando o nome de Deus é usado em sentido coletivo, aparece escrito no plural (hebraico Eloim = Deus) e isto ocorre mais de 2.500 vezes no Velho Testamento. Outros defendem que Eloim seja apenas um plural majestático.
Em nossos dias os mais acérrimos inimigos da Trindade são as Testemunhas de Jeová que com ares doutorais afirmam que não pode haver trindade porque este termo não se encontra na Bíblia. Se não há trindade porque a palavra não se encontra na Bíblia, também não deve haver "Salões do Reino", "Reino Teocrático", "Milênio", "Bíblia", pois estas expressões não se encontram nas Escrituras Sagradas. Inegavelmente a palavra "Trindade" não se acha na Bíblia, mas a sua doutrina ali se encontra e isto é o mais importante.
Aliás, diga-se de passagem, que a seita que estamos analisando não aceita a palavra Bíblia (usada pela primeira vez por Crisóstomo para a Palavra de Deus). Parece-nos que a preocupação primordial deste povo é trazer discussão infindável a respeito de nomes, preocupando-se com o acessório em desprezo do fundamental.
No folheto, distribuído pela Torre de Vigia, A Trindade – Mistério Divino ou Mito Pagão, defendem que a idéia de Trindade procede de povos pagãos como os egípcios, hindus, babilônios e gregos. Entre estes povos não existe uma idéia de Trindade encontrada na Bíblia, mas de uma tríade, formada de um deus, sua esposa e o filho. Neste mesmo folheto há ainda a afirmação de que a trindade se originou com Ninrod (Gên. 10:9) que se casou com a própria mãe. Estas afirmações não merecem nenhum crédito da nossa parte.
A palavra trindade do latim "Trinitas" foi formada por Tertuliano, na última década do segundo século AD. Significa a coexistência do Pai, do Filho e do Espírito Santo na unidade da Divindade. Embora não seja um termo bíblico, representa a cristalização do ensino da Bíblia que nos esclarece sobre seus componentes – Pai, Filho e Espírito Santo.
Outro problema que se nos apresenta neste estudo é o seguinte: sendo a mente humana finita não alcança o infinito, portanto em muitos aspectos, Deus, Cristo e o Espírito Santo são mistérios. Quantos de nós podemos entender o que ê a vida? Quantos são capazes de explicar a Teoria da Relatividade de Einstein? Quem entende exatamente o que é a eletricidade? Vamos negar a trindade, tão claramente revelada nos Escritos Sagrados, porque ela transcende a nossa limitada compreensão?
Não há cabimento em negar a trindade tão evidente dos textos bíblicos, por ser difícil harmonizar a coexistência de três pessoas distintas na Divindade Única. Fiquem conosco as palavras de Pascal: "Há uma infinidade de coisas que a razão não pode atingir. Resolvam-se todas as questões, expliquem-se todas as palavra da Bíblia, e ainda ficarão as maiores dificuldades para exercício da nossa fé: a origem do mal, o mistério da divina presciência e da livre ação, e muito ainda sobre o plano da redenção. E nesta consideração diremos sempre: 'Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos'." – História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, pág. 280.
A negação da trindade tem sido uma constante das religiões não cristãs, as Testemunhas de Jeová são os mais veementes, mais perigosos e mais fanáticos atacantes desta doutrina cristã. Para eles a trindade é anti-racional, pois justificam: se aceitarmos que Jesus é Deus como podemos continuar dizendo que Deus é um? Crêem como Ário – o ancestral de suas idéias heréticas – que a divindade de Cristo não pode coexistir com a unidade de Deus.
Os cristãos não crêem que há "três deuses em um", como afirma o livro Seja Deus Verdadeiro, página 81; mas crêem na existência de três pessoas, todas da mesma substância, coeternas, coexistentes e coiguais.
Eles negam ainda a trindade por afirmarem que esta doutrina se choca com a "razão" que é o critério usado por eles para a aceitação de doutrinas bíblicas. Em defesa desta idéia citam Isaías 1:18: "Vinde, pois, e arrazoemos"; para concluírem que o ensinamento da trindade ê impenetrável à razão. O mesmo Isaías, capitulo 55:8 e 9 afirma: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos diz o Senhor; porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos". Estas assertivas não significam que a razão e o pensamento devam ser abandonados, mas sim que o homem é incapaz de conhecer a mente, natureza ou pensamentos de Deus em toda a sua plenitude. Deus não convida o homem a questionar sobre problemas que a mente humana por ser finita não alcança. Seria a razão humana um elemento válido para determinar uma doutrina bíblica? Evidentemente não.
As Testemunhas de Jeová em seu livro Seja Deus Verdadeiro afirmam: "Seria um mistério se a trindade fosse verdadeira". Seria um mistério mesmo a exemplo do surgimento do pecado no céu e de muitas coisas relacionadas com o plano da salvação. Eles sentenciam peremptoriamente: "A Bíblia não contém mistérios divinos, mas sim sagrados segredo. Há uma vasta diferença entre um segredo e um mistério. Um segredo é meramente o que não foi feito conhecido, mas um mistério é aquilo que não pode ser conhecido".
Qualquer dicionário nos comprovará que esta afirmação é improcedente. Eis o que nos diz o Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa:
Mistério – objeto de fé religiosa, e que é impenetrável à razão humana, segredo, enigma, tudo o que é incompreensível.
Segredo – aquilo que não está divulgado, mistério, coisa misteriosa, impenetrável.
Diz Sabatini Lalli, no livro Logos Eterno, páginas 77 a 78:
"Não podemos entender as verdades que se relacionam com a Doutrina da Trindade, mas reconhecemos que elas constituem parte integrante da Revelação de Deus...
"Se não compreendemos a Doutrina da Trindade, não obstante reconhecê-la e aceitá-la como verdade revelada, é porque ela é tão transcendente quanto o próprio Deus. A Doutrina da Trindade é verdadeira, não porque possamos entendê-la, mas porque é um fato da revelação. Não podemos negá-la, porque, para fazê-lo, precisaríamos mutilar as Escrituras e, se o fizéssemos, além de não trazer nenhuma vantagem para a nossa inteligência, na solução do problema de Deus, esta atitude, altamente sacrílega, nos colocaria debaixo do anátema que pesa sobre os que tiram verdades das Escrituras ou lhas acrescentam! Deus, não obstante ser a mais gloriosa das realidades, é mistério com Trindade ou sem ela!"
É bom sabermos que a Revelação é obra de Deus, mas a especulação é a obra prima de Satanás.
Um estudo acurado das verdades bíblicas nos revelará que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos e ao mesmo tempo completamente um. Esta declaração é um mistério que não nos foi revelado porque está além da nossa compreensão.
O mesmo autor mencionado acima, na página 61 cita as palavras de Boettner muito adequadas ao nosso assunto:
"Não temos obrigação de explicar estas verdades; somos entretanto, obrigados a sustentar aquilo que Deus revelou na Sua Palavra e, também, somos obrigados, tanto quanto possível, a evitar que as afirmações da Palavra de Deus sejam mal interpretadas ou sofram objeções improcedentes. Tudo quanto sabemos a respeito de tão profundas verdades, é aquilo que o Espírito Santo tem revelado a respeito delas, e cremos que tudo quanto Deus revelou é indubitavelmente verdade e deve ser crido, ainda que a nossa razão não possa sondar as suas profundezas",
Como bem conclui Walter R. Martin, no livro The Kingdom of the Cults, página 57: "A verdade é que a Torre de Vigia rejeita a doutrina da Trindade e outras doutrinas fundamentais do Cristianismo não porque elas sejam misteriosas, mas porque as Testemunhas de Jeová estão determinadas a reduzir Jesus, o Filho de Deus a uma criatura ou "um segundo deus" a despeito de todas as evidências bíblicas."
Os unitaristas afirmam que a fé na Divindade de Cristo põe em jogo o monoteísmo da Bíblia. O Comentário Adventista, Vol. 5, página 911 afirma: "A Igreja cristã se defronta com o paradoxo de um monoteísmo triúno e o mistério de um Deus encarnado, conceitos que transcendem a compreensão finita e desafiam definição e análise conclusivas."
Eis o que dizem os russelitas sobre a Trindade: "Tal doutrina não é de Deus". – Seja Deus Verdadeiro, página 100. "A evidente conclusão é que Satanás é o originador da doutrina da trindade". – Idem, página 101.
Os russelitas não foram os primeiros antitrinitaristas, porque estudando a História Eclesiástica encontramos muitos predecessores dos jeovistas que não souberam harmonizar a unicidade de Deus, defendida nas Escrituras, com a multiplicidade de passagens, que nos provam a existência de três seres. Por provar a existência destes três estará a Bíblia defendendo o politeísmo? De modo nenhum.

PROVAS  BÍBLICAS  DE  QUE    UM  DEUS

A Bíblia nos prova que há um só Deus, como podemos ver em: Deut. 6:4; Mar. 12:29; Rom. 16:27; 1 Cor. 8:4-6; Gál. 3:20; Tiago 2:19; Efésios 4:6; 1 Tim. 1:17; Judas 25.
Em Isaías 44:6; 45:6, 22 e 46:9 há a declaração de Deus que Ele é único e que além dele não há outro Deus.
Como nenhum deles é maior, a Bíblia os apresenta sem uma ordem determinada: ... o Espírito... o Senhor ... Deus – I Cor. 12:4-6; Senhor Jesus Cristo ... Deus ... Espírito Santo – II Cor. 13:13; Espírito do Senhor ... Deus ... o Santo – Isaías 40:13-25; um Espírito... um Senhor ... um Deus ... – Efésios 4:4-6; Santo, Santo, Santo ... – Isaías 6:3: Apoc. 4:8.
Os nomes – Pai, Filho, Espírito Santo designam a obra que cada um deles fez quando o plano da redenção foi posto em ação. Há uma hierarquia no plano da redenção.

Em uma nota da Lição da Escola Sabatina do dia 12 de setembro de 1980 havia esta declaração: "O Espírito Santo é Deus. O Conselheiro, Consolador e Ajudador de todos os cristãos. Deus o Pai é o Criador e Sustentador; Deus o Filho é o Salvador e Redentor; Deus, o Espírito Santo, é Deus que permanece ao lado das pessoas.

JESUS  É  DEUS

As Escrituras Sagradas nos esclarecem que Cristo é Deus. Estas provas, já estudadas ao vermos a sua divindade, se encontram, especialmente, nas seguintes passagens, aliás muito evidentes para serem negadas por pessoas que afirmam crerem na Bíblia e negarem com tanto ardor que Cristo não é Deus: João 1:1; 5:18; 10:28-33; 20:28; Atos 20:28 (Igreja de Deus, isto é Cristo); Rom. 9:5; Fil. 2:6; Col. 2:9; Heb. 1:8; II Ped. 1:1; 1 João 5:20.

O  ESPIRITO  SANTO  É  DEUS

Nomes para o Espírito Santo no Novo Testamento:
a)   Espírito de Deus – Rom. 8: 14.
b)  Espírito de Cristo – Rom, 8:9.
c)   Espírito do Pai – Mat. 10:20.
d)  Espírito do Senhor – II Cor. 3:17.
e)   Espírito Santo – Atos 2
f)    Espírito de sabedoria e revelação – Efés. 1:17.
g)  Espírito de poder, de amor... – II Tim. 1:7.
h)  Espírito de adoção ou oração – Rom. 8:15.
i)    Espírito de santificação – Rom. 1:4.
j)    Espírito de vida – Rom. 8:10.
k)  Espírito de mansidão – I Cor. 4:21.
l)    Espírito de consolo – Atos 9:31.
m)    Espírito da glória - I Ped. 4: 14.
n)       Espírito de selagem, garantia da vida eterna – Efés. 1:13-14.
o)       Espírito de todas as bênçãos carismáticas cristãs – I Cor. 12:4.
p)       Espírito da verdade – João 16:13.

Dentre as muitas afirmações das Testemunhas de Jeová sobre o Espírito Santo, as duas mais destacáveis são estas:
1ª.) – "O Espírito Santo ê a força ativa e invisível de Deus, que move seus servos a fazerem a Sua vontade". Seja Deus Verdadeiro, página 108.
2ª.) – "O Espírito Santo não é um Deus, nem o membro de uma trindade, não é coigual, nem é mesmo um ser pessoal". – Jehovah of the Watch Tower, pág. 432.
As páginas inspiradas nos informam que o Espírito Santo é "outro" Deus, porque possui os atributos de Deus, tais como:
Santidade – Efésios 4:25-32;
Eternidade – Heb. 9:14, e 88 vezes nos livros do V.T.;
Onipotência – Atos 1:8 (virtude e poder);
Onisciência – I Cor. 2:10-11;
Onipresença – João 14:16; Salmos 139:1-10;
Doador da vida (junto com Jesus) – João 6:63;
Pode blasfemar-se contra ele – Mat. 12:31 (Blasfêmia é um pecado contra Deus);
Atos 5:3 e 4 afirma que Pedro declarou a Ananias que havia mentido ao Espírito Santo, isto é, a Deus.
"Precisamos reconhecer que o Espírito Santo, que é tanto uma pessoa como o próprio Deus, está andando por esses terrenos. Manuscrito 66, 1899." – citado em Evangelismo, página 616.
"O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus. Manuscrito 20, 1906." – Evangelismo, 617.
Os atributos que a Bíblia atribui ao Espírito Santo são de um ser, e não de "um poder ativo" de uma influência.
O Espírito Santo:
     fala                 - I Tim. 4:1
     guia, ouve      - João 16:13
     ensina            - João 14:26; Luc. 12:12
     convence       - João 16:8
     emociona-se  - Efés. 4:30
     consola          - Atos 9:31
     intercede        - Rom. 8:26-27
     comissiona     - Atos 13:4
     tem o Seu nome entre os de outras pessoas - Atos15:28
     ama               - Rom. 15: 30.
Kant outorga três atributos a uma personalidade: Inteligência, Vontade e Emoção. Estes três atributos são encontrados no Espírito Santo.
Inteligência - I Cor. 2:10-11; Atos 15:28;
Vontade - I Cor. 12:11; Efésios 4:30; João 15:26; 16:8;
Emoção - Rom. 15:30; Efésios 4:30; Isaías 63:10.

Antônio Neves de Mesquita no livro A Doutrina da Trindade no Velho Testamento, p. 37, declara: "O termo Parakletos jamais foi traduzido por 'conforto' e sim 'confortador', pois só assim expressa trabalho de Pessoa. Quando Jesus disse que mandaria o Seu espírito, não quis dizer o espírito pessoal, à parte de sua pessoa, mas o Vigário, o Consolador ou 'o outro Consolador', indicando a outra pessoa da Divindade".
Ainda um ponderável argumento para provar que o Espírito Santo é da mesma natureza de Deus se encontra no conhecimento das palavras gregas allov - álos e - héteros. Em português traduziremos as duas palavras por outro, mas álos é outro da mesma qualidade, enquanto héteros é outro de natureza diferente, contrária. Na expressão: outro Consolador de João 14: 16, temos allov indicando que o Espírito Santo é da mesma qualidade de Deus. Em Gálatas 1:6 Paulo afirma: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho." O vocábulo grego neste caso é héteros - outro, diferente.

Há passagens na Bíblia onde as três pessoas da trindade aparecem juntas, comprovando a existência de três pessoas distintas. Dentre estas passagens as duas mais significativas são:
1ª.) – A fórmula batismal em nome do Deus trino, colocada nos lábios dos apóstolos pelo próprio Cristo – Mat. 28:19.
"Há três pessoas viventes no trio celestial, no nome destes três poderes (o Pai, o Filho e o Espírito Santo), aqueles que por uma fé viva recebem a Cristo são batizados ... os três grandes poderes do céu são testemunhas, são invisíveis, mas presentes". Manuscrito 57, 1900 SDABC, Vol. VI, página 1074.
2ª.) – A bênção apostólica de II Cor. 13:13 onde atributos diferentes são atribuídas a cada pessoa da Divindade.
No Velho Testamento estudiosos têm apresentado Isaías 48:12-16 como uma prova para a Trindade, pois quem fala é Cristo, mas há o relato de mais dois seres.
O verso 16 declara: "... o Senhor Jeová Me enviou e o Seu Espírito".
A tradução da Bíblia feita por Figueiredo traz a seguinte nota ao pé da página sobre este verso: "Esta cláusula mostra que quem aqui fala de si, não é Isaías, como querem os rabinos, mas o Filho de Deus, anunciando a Sua encarnação. (Vol. III, p. 136).
Além destas a trindade é evidente nas seguintes passagens: João 14:16; Efés. 4: 4-6; 1 Pedro1:2; Judas 20-21.

O  ESPÍRITO  DE  PROFECIA  E  A  TRINDADE

Existem categóricas declarações da pena inspirada sobre três pessoas da Trindade, como nos indicam as seguintes:
"Há três pessoas vivas pertencentes à trindade celeste; em nome destes três grandes poderes - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - os que recebem a Cristo por fé viva são batizados, e esses poderes cooperarão com os súditos obedientes do Céu em seus esforços para viver a nova vida em Cristo." – O Evangelismo, p. 615.
"Mantende-vos onde os três grandes poderes celestes, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sejam a vossa eficiência. Estes poderes operam com quem se entrega irrestritamente a Deus".
The Southern Watchman, 28-2-1904, p. 122.
"A nossa santificação é obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É o cumprimento do concerto que Deus fez com os que com Ele se unem, para permanecerem com Ele, com Seu Filho, e com o Espírito Santo em santa comunhão". – The Signs of the Times, 19 de junho de 1901.
Três Dignitários Eternos – "Os eternos dignitários celestes - Deus, Cristo e o Espírito Santo - munindo-os [aos discípulos] de energia sobre-humana, ... avançariam com eles para a obra e convenceriam o mundo do pecado." – O Evangelismo, p. 616.

A citação de Deut. 6:4 – "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" como prova do unitarismo divino ou contra a Trindade requer uma explicação.
Devemos fazer distinção entre duas palavras hebraicas: ekhad que significa união, do verbo yakhâd = unir; e yakhid, que quer dizer solitário, só um, unicamente. Em Deut. 6:4 se encontra ekhad, mas em Gên. 22:2, 12, 16 a palavra usada é yakhid (Nota: Estas palavras hebraicas têm sido transliteradas de outras maneiras como erad, yarad e yarid; echad, yachad e yachid).
Uma tradução de Deut. 6: 4 mais consentânea com o original hebraico seria: - Deus, Jeová é unido, ou os Deuses Jeová são unidos.
É útil ainda sabermos que em hebraico existe uma unidade simples ou absoluta e uma unidade composta. Em Gênesis 22:2, 12, 16 há referências a uma unidade simples – yakhid, mas em Deut. 6:4 a unidade é composta - ekhad. Logo Deut. 6:4 traduzido com mais fidelidade do original hebraico ficaria assim: "Ouve, ó Israel: Jeová nosso Deus, é Jeová único composto,
Em Gên. 2:24 temos a afirmação tornando-se os dois uma só carne - bosor ekhad. Será que os dois são um quantitativamente? Não. Eles são um na unidade de propósito, de ideal... A unidade do marido e da esposa está na unidade dos corpos, na comunidade de interesses e uma reprocidade de afeições.
A passagem de I João 5:7, que aparece em algumas traduções: "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um" não deve ser usada para provar a Trindade, porque todas as evidências textuais nos provam que não aparece nos manuscritos gregos anteriores ao século XVI. A Crítica Textual tem chegado a algumas conclusões sobre esta passagem. Dentre estas a mais viável para mim seria a seguinte: Considerando que não se encontra nos manuscritos unciais e na quase totalidade dos cursivos; considerando que não aparece em todas as versões antigas, com exceção da latina; considerando que nunca foi citada pelos Pais da Igreja, em seus escritos, em defesa da doutrina da Trindade, conclui-se que, inegavelmente foi uma interpolação posterior
"As Três testemunhas celestiais" ou Comma Joanina, como é conhecida pela Crítica Textual, surgiu segundo tudo indica de um comentário exegético que um copista colocou, à margem, do texto que estava copiando. Um copista posterior, achando que eram palavras próprias para o contexto, as inseriu na cópia que estava fazendo, mas por legítimo direito não pertencem ao texto sagrado.
NOTA: Antes de concluir que quem escreveu isto está ensinando heresias seria bom estudar bem o assunto; inclusive nos livros adventistas como:
Problems in Bible Translation e o Comentário Adventista para concluir que estamos escudados em fatos e não em cogitações.
Seria ainda de bom alvitre que todos os que se interessam pelo estudo da Bíblia, tivessem noções de Crítica Textual Bíblica. As ponderações que tenho recebido neste sentido não me têm impressionado muito, porque já há bastante tempo sei que a ignorância está ao alcance de todos, mas não o saber.

QUADRO  SUCINTO  DA  TRINDADE

Este quadro foi apresentado por Arnaldo Christianini em Radiografia do Jeovismo, pág. 86. 


PAI
FILHO
E. SANTO
1. É Deus
Isa. 40:28;
Êxo. 20:2 e outros.
Rom. 9:5;
S. João 1:1;
Atos 5:3 e 4 ú.p.;
2. É eterno
Gên. 21:23;
Sal. 90:2.
Miq. 5:2; Isa.9:6.
Heb. 9:14.
3. É Criador
Isa. 42:5;
Atos 17:24.
João 1:3;
Heb. 1:10.
Gên. 1:2; Sal. 104:30; Jó 33:4.
4. É onisciente
Prov. 15:3;
Sal. 33:13.
S. Mat. 9:4;
S. João 2:25.
I Cor. 2:10, 11;
Isa. 40:13, 14;
5. É onipotente
Gên. 28:3;
Apoc. 1:8.
S. Mat. 28:18.
Salmo 139.
6. É onipresente
Sal. 139:1, 8.
S. Mat. 18:20;
S. Mat. 28:20.
Sal. 139:7-10. 
7. É Senhor
Sal. 86:12;
Ezeq. 13:20.27.
S. Mat. 14:22;
S. Mar. 16:29.
II Cor. 3:17, 18.
8. É Recriador
Isa. 65:17.
II Cor. 5:17.
S. João 3:6.
9. Tem mente
Rom. 11:34.
I Cor. 2:16.
Rom. 8:27.
10. É Jeová
Isa. 40:28, etc.
Ver "Cristo identificado com Jeová"
Atos 28:25 com
Isa. 6:3, 9,10.
11. É santo
Isa. 6:3; 5:16;
Apoc. 4:8.
Atos 3:14;
S. Luc. 1:35.
II Cor. 13:13, e inúmeros.
12. É a Verdade
Jer. 10:10;
Zac. 8:8.
S. João 14:6.
I S. João 5:6 ú.p.;
S. João 16:13.
13. Revela
Dan. 2:28.
S. Mat. 11:27;
S. João 1:28.
I Cor. 2:10;
Efés. 3:5.
14. É Presciente
Isa. 46:10.
S. Mat. 24:5-41;
S. Luc. 22:31.
Atos 1:16; Heb. 9:8;
II S. Ped. 1:21.

Do exposto chega-se a uma tríplice conclusão:
1ª. Se as Escrituras Sagradas chamam tanto o Pai, quanto o Filho e o Espírito Santo de Deus, é porque há três seres, formando portanto uma Trindade.
2ª. Jamais deve ser esquecido o fato de que seus autores eram na maioria judeus, portanto intransigentes defensores do monoteísmo.
3ª. A doutrina da trindade não é uma verdade insignificante, porém a mais profunda e extraordinária das revelações de Deus. A revelação desta verdade constitui a base de todas as outras grandes revelações divinas. Deus é na verdade uma Unidade, ou quem sabe com uma expressão que transmita melhor a idéia original de Deut. 6:4, é uma triuniformidade ou Trindade.
A tradução de Fenton que melhor procurou transmitir a idéia contida no original em Deut. 6: 4 assinala: "Nosso Deus sempre vivente é uma Vida Indivisa".
Seria interessante destacar que fala de uma "Vida Indivisa" e não de uma Pessoa Indivisa.


Por: Dr. Pedro Apolinário

Um comentário:

  1. Parabéns, Pr. Eleazar Domini, por este site.
    Seguramente, ha muita informação preciosa nele.

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