terça-feira, 19 de março de 2013

Trindade em Escritos Originais de Ellen White




Fichamento da Revista Parousia [1]


Figura 1 – É uma cópia escaneada da primeira página desta carta, demonstrando a sentença-chave no segundo parágrafo. O cético perguntará como sabemos que esta carta veio realmente de Ellen G. White? O que diz o manuscrito original? Infelizmente para nós, que vivemos em 2006, Ellen G. White raramente preservou cópias originais de suas cartas, depois que elas sido transcritas e haviam recebidos sua aprovação. Nós ainda vemos que em certas outras instâncias somos afortunados em ter o manuscrito original, mas para esta carta o manuscrito original não é conhecido como tendo
sobrevivido. Talvez pela segurança que ela tinha em que as adulterações não seriam realizadas já que confiava na direção de Deus ao movimento.
Mas nós temos outras evidências de sua autenticidade. A figura 2 é uma cópia escaneada da página 6, demonstrando estas alterações interlineares e provendo a evidência de que esta carta foi, de fato, revista pela própria Ellen G. White. Assim estamos com base sólida ao concluir que esta sentença-chave em O Desejado de Todas as Nações não passou despercebida aos olhos da sra. White e entrou para o manuscrito do livro, que por intermédio dos seus assistentes ou por outros líderes da igreja. O que Diríamos quanto ao segundo argumento, de que as palavras “terceira pessoa” não aparecem com letras maiúsculas nas edições mais antigas? Como vimos na figura 1, a frase também não aparece com maiúsculas na carta original. Uma comparação adicional entre as cartas de Ellen White, seus artigos publicados e livros, indica que este estilo editorial, sem intenção teológica, governou tais questões quanto a se os pronomes referindo-se à Divindade deveriam aparecer em maiúsculas. Se o argumento de que o uso de letras minúsculas na “terceira pessoa”, demonstra que a sra. White não estava atribuindo status de divindade ao Espírito Santo, então deveríamos explicar por que nas
mesmas edições anteriores, o pronome pessoal “Ele” (referindo-se ao Espírito Santo) duas vezes aparece maiúscula no parágrafo imediatamente anterior (671:1), bem como em outros lugares no mesmo capítulo.



Figura 3 – É uma cópia escaneada da folha de rosto da fonte em que se encontra a citação de Evangelismo – Special Testemonies, Série B, nº7. De particular interesse é observar no final da página a frase “ Published for the Author” (Publicado pela Autora).

 A figura 4 é a cópia escaneada da página contendo a sentença-chave. Assim, o que quer que as alegadas “conspirações” tenham feito quanto às palavras que aparecem em Evangelismo, elas não podem ter sido originadas pela liderança da igreja na década de 1940. A passagem apareceu na impressão de 1906, publicada pela autora – Ellen White.
Buscando a fonte deste material, descobrimos que ele vem do Manuscrito 21, de 1906, escrito em novembro de 1905, indicando a data da transcrição como 9 de janeiro de 1906. A figura 5 é a cópia escaneada da figura 4, na qual esta declaração-chave aparece. A sentença é idêntica à que foi publicada na Série B, exceto que na versão impressa um ponto-e-vírgula foi substituído por uma vírgula depois das palavras “trio celeste”.


 

 

 Figura 6 – É a cópia escaneada da primeira página deste manuscrito, mostrando as correções manuais da sra. White – evidência de que ela pessoalmente revisou a cópia datilografada. Assi, mvemos que o que foi publicado em Evangelismo, reflete corretamente o que foi publicado na Série B, a qual, por sua vez, reproduz corretamente o manuscrito de Ellen G. White como revisado por ela.


 Figura 7 – É cópia escaneada de uma página do diário da sra. White, onde é encontrado o original não editado da cópia escrita a mão do manuscrito 21, 1906. Isto é o que foi tanscrito pelas seretárias de Ellen G. White, lê-se: “Aqui estão as três personalidades vivas do trio celestial, nas quais cada alma arrependida dos seuspecados, recebe Cristo por fé viva, para aqueles que são batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”



 Figura 8 e 9 - “A obra está colocada diante de cada alma que reconhece sua fé em Jesus cristo pelo batismo, e se tornou um recipiente da promessa das três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo” (WHITE, Ellen G. DAS Commentary, 6:1074).



 O uso que Ellen G. White faz de “terceira pessoa” e “três pessoas no trio celestial” indica claramente sua crença de que não apenas existem três seres na divindade, mas que eles ão “pessoas”. Outra afirmação publicada em Evangelismo diz isto em termos evidentes: “O Espírito Santo é uma pessoa, pois ele dá testemunho ao nosso espirito de que somos filhos de Deus” (Evangelismo, p. 616,617).
Novamente nos perguntamos, o que Ellen White realmente escreveu? A figura 10 é uma cópia escaneada da fonte citada no livro Evangelismo – Manuscrito 20, 1906, p. 9. Não apenas este manuscrito atesta a aprovação da sra. White (no topo da sua primeira página lemos: “Eu li isto cuidadosamente e o aceite” – ver Figura 11.
Possuímos o original do rascunho escrito a mão, que foi transcrito por suas secretárias.
A figura 12 é uma cópia escaneada da sentença-chave: “O Espírito Santo é uma pessoa, pois Ele dá testemunho ao nosso espírito”.
Ellen G. White tem mais a dizer sobre o tema em outro lugar. O Manuscrito 93, 1893, diz: “O Espírito Santo é o Consolador, em nome de Cristo. Ele personifica Cristo, contudo é uma personalidade distinta”. A figura 13 é uma cópia escaneada do rascunho escrito à mão por Ellen White, confirmando a transcrição. O Manuscrito 27ª, 1900 acrescenta esta descrição: “O Pai, o Filho e o Espírito Santo, poderes infinitos e oniscientes, recebem aqueles que verdadeiramente entram em relação de concerto com Deus” (Manuscrito 271, 1900, publicado em DAS Bible Commentary, 6:1075).
Observe como os atributos da Divindade são aplicados a cada pessoa. Isto é seguido da seguinte declaração: “Três agências distintas, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, trabalham juntas pelos seres humanos” (Ibid, com excessão do DAS Bible Commentary). O rascunho original à mão deste manuscrito não existe mais, mas a transcrição dele não apenas estampa a assinatura de Ellen White, como também suas correções interlineares, como visto nas fuguras 14 e 15 abaixo. 


 


 



 Tendo em mente as declarações de Ellen White, sem qualquer ambiguidade, acerca do “trio celeste”, vamos agora examinar outra passagem relacionada com a natureza do Espírito Santo, que os promotores do antitrinitarianismo usam como apoio.
Ela aparece na página 669 de O Desejado de Todas as Nações: “O Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana, Cristo não poderia estar em toda parte em pessoa. Era, portanto, do interesse deles que fosse para o Pai, e enviasse o Espírito como seu sucessor na Terra. Ninguém poderia ter então vantagem devido a sua situação ou seu contato pessoal com cristo.
Pelo Espírito, o Salvador seria acessível a todos. Nesse sentido, estaria mais perto deles do que se não subisse ao alto”.
O enfoque desta passagem é a presença de Cristo por meio do seu representante – O Espírito Santo. A distinção pessoal entre Cristo e o Espírito Santo é cuidadosamente expressa no texto, mas os promotores antitrinitarianos indicam o manuscrito fonte desta passagem. Encontramos em uma carta a Edson White e sua esposa, datada de 18 de fevereiro de 1895 (WHITE, Ellen G. Carta 119, 1895). Como é a leitura deste texto na carta original?
“Limitado por sua humanidade, Cristo não poderia estar toda parte em pessoa; portanto, era do interesse deles que ele o s deixasse, e fosse para o seu Pai e enviasse o Espírito Santo para ser o seu sucessor na terra. O Espírito Santo é ele mesmo despojado da personalidade humana, e assim independente. Ele se representaria a si mesmo como presente em todos os lugares pelo seu Espírito Santo, como o Onipresente” (Publicado em Manuscript Releases, 14:93).
O que é de particular significado para os não trinitarianos é que onde O Desejado de Todas as Nações apresenta “O Espírito Santo é o representante de Cristo”, a carta original lê “O Espírito Santo é Ele mesmo.” O manuscrito original não é conhecido como existente, mas a carta, como transcrita pela secretária de Ellen White, estampa a sua assinatura e outras correções, significando sua aprovação à carta. Veja a figura 16 no final.
Será que a frase na carta original estabelece que a sra. White cria que o Espírito Santo e Cristo não são pessoas distintas? Nós já observamos várias declarações de Ellen White afirmando que existem “três pessoas” na divindade, e que o Espírito Santo é uma “personalidade distinta”. Como estas afirmações, cronologicamente, tanto antecedem como seguem a fraseologia desta carta, a consistência nos levaria a esperar que ela não está introduzindo uma nova compreensão do Espírito Santo nesta passagem. De fato, nós encontramos em O Desejado de Todas as Nações. O parágrafo na carta onde esta sentença aparece, começa com a declaração: “Embora nosso Senhor tenha ascendido da terra ao céu, o Espírito Santo foi indicado como seu representante entre os homens.”
Ellen White adicionalmente explica o significado de suas palavras “O Espírito Santo é Ele mesmo” acrescentando que “Cristo se representaria a si mesmo como presente em todos os lugares pelo seu Espírito Santo. Na misteriosa união que existe entre os membros da divindade, a presença pessoal de Jesus; contudo, suas identidades distintas são preservadas. A mesma ideia é encontrada em outras passagens da sra. White, tais como:
“Quando vós receberdes a Cristo como vosso Salvador pessoal, haverá uma marcante mudança em vós; sereis convertidos e o Senhor Jesus pelo seu Espírito se erguerá ao vosso lado” (Manuscrito 13, 1897, publicado em Mind, Character, and Personality, 1:124-125); e “Eu testifico aos meus irmãos e irmãs que a igreja de Cristo, fraca e defeituosa como possa ser, é o único objetivo na terra ao qual Ele concede sua suprema consideração. Enquanto Ele estende a todos o seu convite para virem a Ele e
serem salvos...Ele pessoalmente vem pelo seu Santo Espírito em meio à Igreja” (Carta, 2d, 1892, publicada em Testemonies to Ministers, 15).
Como explicar então a mudança nas palavras de O Desejado de Todas as Nações? Nós temos apenas a carta de 1895, e nenhum rascunho para a leitura final do capítulo, deixando-nos com a conclusão de que o que foi publicado em 1898 representa a leitura editada e aprovada pela autora. (Contra o argumento de que a leitura publicada não reflete os ensinos de Ellen White, ergue-se o fato de que o texto permaneceu não retocado por ela ao longo dos 17 anos anteriores à sua morte, e que a passagem foi repetida em um artigo que ela supriu para as leituras da semana de oração, publicadas na Review and Herald de 19 de Novembro de 1908).
A linguagem adotada por Ellen White em o Desejado de Todas as Nações ajuda o leitor a evitar a má interpretação que surge quando a sentença, é isolada de todo o parágrafo do seu contexto original.




[1] POIRIER, Tim. Parousia: Revista do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Ano 5, nº 1. Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2006.

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